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domingo, 16 de dezembro de 2012

A novidade

A novidade era o máximo
De tudo o que eu não entendia
A fome expiada na oração
A luxúria, na plantação

Tinham mais comida do que precisavam
Enquanto a novidade vinha dar as caras
Uma novidade ainda rara
De uma vontade que já se ia

A novidade ia passando a olhos nus
Num período em que o mínimo era tudo
E o que eu tenho agora é nada

Um máquina descontrolada governa meu destino
A novidade é uma faca afiada
Apontada para a pobreza

Ah, Gilberto Gil e uma de suas músicas mais geniais

Nada a declarar

Escutava com paciência cada segundo passar
Enquanto a paisagem se mexia a olhos vistos
A onde está indo cada pedaço desta cidade?
Onde posso encontrar um pedaço de mim?

Era um sorriso que abria o mundo
Que se repetia em cada face nova
Que se esvaia em cada passo em direção ao futuro
Que se extinguia como a chama na floresta

Eles corriam freneticamente trazendo o progresso
Fingiam que o bem maior estava por vir
E diziam que um pedaço de papel validava tudo

Eu, paciente da situação,
Aguardava o doutor que me disse
Não tenho nada a declarar

Quando a técnica é sobrepujada pela vontade.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Toda forma de prazer

Eu não presto atenção no que eles dizem,
Eles não dizem nada, não sabem de nada
Maluf e Sarney tiram sarro
De você que não faz nada

Toda forma de poder
É uma forma de prazer por nada
Toda forma de disputa
Transforma a luta em palhaçada

Tudo passa, quem sabe eu passe por aí
E te faça lembrar tudo o que fiz
Tudo passa, eu vou passar aí
E te fazer esquecer

A força se repete
E faz a história mostrar as forças mal contadas
E eu começo a achar normal
Que algum exército atire bombas na faixa de gaza

Tudo passa, quem sabe eu passe por aí
E te faça lembrar tudo o que fiz
Tudo passa, eu vou passar aí
E te fazer esquecer

O fascismo é ignorante
E faz a gente fascinante ignorada
Não me deixam ir adiante
Por que a coisa toda tá errada

Toda forma de poder
É uma forma de prazer por nada
Toda forma de poder
É uma forma de prazer por nada

Em resposta aos arquitetos de tramandaí.

domingo, 8 de janeiro de 2012

É proibido proibir

É proibido proibir
Disse o garoto com uma bandeira na mão
Enquanto esperava um líder
Para erguer a sua paixão

Seus símbolos são mais importantes
Que os amigos que tem por perto
E ter um milhão de amigos
É viver na solidão

A luta é tão dual quanto seu pensamento
E estar de um lado
É odiar o outro
Enquanto todos querem a mesma paz

Enquanto o homem não estiver em paz consigo
Só verá guerra
E a paz será uma bandeira na lua

Conquistar a terra, o céu e o mar
É trinfar com uma riqueza inventada
Enquanto seus próprios valores definham

Aquele garoto com uma bandeira na mão
Deve estar pensando:
Não somos mais os mesmos
Mas vivemos como nossos pais

domingo, 11 de outubro de 2009

Produção semanal

Os incomodados que sofram

Dor é outro na tua boca
Quando eu venho te beijar
E o teu cheiro não é mais o meu
E a derrota nos mantém acordados

Morte e abutres
Amor e nós
Somos o nada em qualquer lugar

Vermes saem dos teus ouvidos
O teu coração está na lama, imundo
Pisoteado como indigente em vala comum

Quem nasce morre
É matéria de alento a outro ser
Merda é adubo
Onde o insignificante vai crescer

Só pra incomodar mesmo.

Liberdade - Fim, início e meio

Os olhos tocam o mar
E a felicidade é o fim
O caminho é o luar
A beleza, flor de jasmim

A mentira é uma pedra
O mar destrói o rochedo
O caminho é o mar que abre
O início sou eu quem anseio

Liberdade é um pássaro voando
Sem se chocar com outro
Mesmo quando o errado é ele mesmo

A flor desperta
É um mundo de sentimentos
Enquanto o pássaro caça
O sol a admira sem receio

A liberdade é o homem em paz
É o lugar onde devaneio
A liberdade é o homem quem mata
A liberdade é o caminho inteiro

Onde está a liberdade?

Compra-se um sorriso

Dor é conhecer a si mesmo e chorar
É impossível olhar nos teus olhos
E não sentir dor

É o medo de encontrar a si mesmo
Que me impede de ser quem sou
Sim, porque eu sou tu também
E cada pedaço de maldade que te aflige
É um um grande ataque no meu coração

E assim, dilacerado por cada falta de ação
Vou moribundo pelas esquinas
Procurando meu lugar

Desespero é o fim da dignidade
É o fim da condição racional
O fim da condição humana
O início da necessidade

Mas trabalha, poeta,
Que o mundo também é tu
E cada sorriso teu é um passo a mais
Para um mundo de felicidade

Resposta a alguém com olhos mais calejados que os meus. Poema no link abaixo:
http://essamusica.blogspot.com/2009/09/vende-se-um-sorriso.html