Quando foi que o sonho se tornou plano,
E o plano se tornou meta,
E a meta se tornou indicador acompanhado periodicamente
E fazemos as coisas apenas para atingir um indicador
Se não faz sentido continuar assim
Porque o mundo segue deste jeito?
Existe um mundo qualitativo
Que não é transmitido em números
Que está sendo esquecido
Podemos contar o afeto em número de abraços?
Com a raiva em número de gritos?
O esforço em número de passos?
A primavera em número de flores?
O carinho em número de afagos?
A paixão na quantidade de beijos?
A paixão na quantidade de beijos?
É preciso retornar ao intangível
É preciso tocar o inimaginável
É preciso reaprender a sonhar
É amar além da conta,
O que é bom faz a história,
E se o hiato é saudade,
Te quero no meu futuro
O caminho é sentir
Se permitir não calcular
E agir, conforme desejar
Ser feliz, ser triste, tanto faz
O que poderia moderar então esse mundo?
A empatia,
Sumida desde que tudo se tornou números
E pelos números trabalhar,
Ela ficou tão em falta em tudo.
Liniker e Augusto dos Anjos.